sábado, 5 de maio de 2012

por vezes eu descanso me guardando nas paredes, apoio a coluna, a cabeça, minha mente. todos nós devemos  ter um gosto pela morte, pois sempre puxamos até nós o que já nasceu sem suspiro: memórias. assim que se criam, é um pedaço falecido de nós mesmos, e a cada pensar toma nova forma, mas nunca mais será como o momento que se produziu.
confesso, das memórias trago um bocado de medo. elas envenenam de maneira que pouco sei explicar. queremos tanto que queremos, e tudo se volta ao passado, pois o futuro é tão escuro, e ao presente nossos olhos estão fechados.
leva-se tanto tempo pra compreender estes pesares, e entender inteiramente que o novo é também desconhecido, e por que arriscar negar tudo só pelo conforto de algo que nem vive mais? talvez estas foram minhas razões pra partir. partir das minhas escolhas, dos meus objetivos, de muitas pessoas, de um caminho que só existia fim, mas nunca começo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

resumindo este meu trajeto entre universidades: ao fim do ensino médio transitei entre química, audiovisual ou ficar em casa e nada fazer. achei melhor deslocar a última opção para o cursinho. ah, aquele vasto campo de aprendizado mecânico e zzz. me lembro mais dos dias em que dormi do que os dias que prestei atenção na fala dos professores. se eu tivesse algum bom-senso ou quem sabe uma moralidade católica, a culpa teria me levado para qualquer lugar. no segundo ano de cursinho (acredite, fazer a mesma escolha errada uma vez é bobagem), me empenhei em todas as matérias. digo, me empenhei nas matérias que eu gostava. quer dizer, me empenhei nas matérias que os professores eram engraçados. tá bom, eu finjo bem, muito bem. arranjei estes cursos fuleiros de meio de ano, mas ó, faculdade pública hein, vai pensando, vai. e fui parar na fatec, nestes tecnólogos, e vou me abster de nomes, para não dizer que morro com meu veneno. mas bem calha dizer que neste brasil nada presta. duas, talvez três semanas, voltei as minhas origens, meu quarto, um ser fictício e não abstrato que, bom, isso não faz o menor sentido. retornando: achei interessante me abrenhar num curso técnico. eu tenho esta coisa de querer as coisas fáceis, me julguem. simplesmente não sei me dedicar as coisas que não tenho interesse. mas ainda não compreendo o investimento mascarado em educação tecnológica e técnica neste mundinho. dei o fora, corri para as montanhas.
surgiu a ideia, destas que não se lapida porque é capaz de virar merda, adentrei-me no requinte burguesístico da minha cidadela, chamam-o mackenzie. eu chamo "novo lugar para aboletar minha bunda e contemplar o nada" e fui estudar letras. isso foi o que a propaganda me dizia, na verdade eu fui estudar educação, esta educação do novo milênio. minha antiga escola pode até se encaixar entre os behavioristas, acho o máximo. acho grandes pequenos pontos da linguística muito interessantes. língua portuguesa faz carinho no cérebro. mas olhem para minhas fuças de educadora das massas. não, não. vamos para um lugar qualquer fazer pesquisa, e ó, universidade pública, vai achando, vai achando (e eu disse que era bobagem): vim parar na unifesp. a unifesp me recebeu de portas fechadas, pois a greve, correm boatos (e eles realmente correm), é um bicho-papão. e amigo, se você não se posicionar contra ou à favor, sera engolido.
brincadeiras de lado (nem tanto assim), o incrível de viver duas realidade completamente diferentes é achar semelhanças absurdas. e nem falo de ensino, espaço físico, me poupem. falo de comportamento humano. aquele, sabe? o bitolado. de repente, me tiraram o direito de não querer me posicionar, de não querer defender um lado. eu, como universitária, aliás, como cidadã, sou uma praga. se eu não tenho motivos suficientes para levantar do sofá, desculpem-me, mas não é acreditar ou não nos problemas, acreditar ou não na greve, apenas me abstenho da pratica. bem lembro das aulas sobre educação, dos fervorosos alunos defendendo a educação básica como um meio de politização E moralização. educadores? minha senhora, vá cuidar da sua prole como bem lhe couber o juízo. teu filho quer entender do mundo aqui fora? venha que te apresentarei o mundo em livros, em arte, em discurso, daí quanto fores maduro o suficiente vai saber se quer se da direita, da esquerda ou se quer ficar em casa. todo mundo ache o que bem entender, só não ache que o que pensa é melhor que o do outro só porque, céus, você pensa assim. se não faz sentido neste cérebro que será comido pelos amigos decompositores, não vejo porque adotar como verdade. me obriguem!
e esta é minha singela e totalmente mal escrita opinião sobre universidades, carreiras, educação e coisa nenhuma. pois n'o fundo da caneca nunca tem nada mesmo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012


vai começar a chover em breve, tem trovejado ao longo do dia. hoje, não me lembro bem de que data se trata, parece exatamente como todos os outros dias que já passaram. tem que correr pra fechar as janelas. mais farelo, mais. tem dias que tudo soa na perspectiva de um personagem vindo direto do primetime. é só preciso passar o tempo, porque é disso que se trata, passar o tempo.
o fundo da caneca se trata dos pensamentos que surgem quando a distração acaba, e a regra é clara: a distração não pode acabar. põe pra tocar qualquer coisa, vou continuar assistindo the office aqui e me constrangendo, tenho talento nisso e nem preciso me esforçar.
ainda perguntas juvenis me mordiscam os calcanhares, sobre sonhos e desejos. o que vocês querem do mundo, me pergunto e procuro a resposta aqui. nada tem a ver com a escrita hoje, senhores. tudo é mesmo válido e de tudo mesmo tiramos aprendizado? pois das coisas todas que podia aprender, já tinha compreendido, mas talvez não o suficiente, pois me deixei enganar mais uma vez. era tudo sobre passagem e voltar pra casa. e enfim voltei.




talvez agora, e só agora, as coisas retomam o passo.